Hotel no fundo do mar
Sheerazade, Ali-baba e outros personagens da principal peça da mitologia árabe, as 1001 Noites, agora têm companhia. Está sendo escrito o livro 1001 Arab Nights at the Burj Al Arab, para narrar o “incrível projeto” desse hotel, que além de ser o mais alto do mundo e instalado em uma ilha artificial, ainda abriga um original restaurante no fundo do mar. O hotel e o restaurante são parte do complexo Jumeirah Beach Resort Development, instalado numa ilha artificial em Dubai e controlado pelo xeque Mohammed bin Rashid Al Maktoum.
E, na cidade israelense de Eilat, há também um famoso restaurante submarino, o Red Sea Star, parte do complexo Red Sea Star Underwater Observatory, Restaurant and Bar, que inclui ainda um bar e um observatório submarino, num investimento global de US$ 8 milhões. No restaurante, os hóspedes descem por um elevador até um aquário reverso, com 62 janelões, em estilo Salvador Dali, pelos quais observam peixes tropicais e corais vivos para ali transplantados, esponjas, estrelas-do-mar e delfins curiosos.
Hotel – O empreendimento árabe tem página Web. Esse hotel de luxo em Dubai tem 202 suítes, três instalações para alimentação e bebidas, um salão de banquetes do Health Club, com 5.600 m² e salas de conferências, sendo desenvolvido pelos arquitetos e engenheiros WS Atkins.
Situado 15 km ao Sul da cidade de Dubai, o hotel Burj Al Arab e o parque aquático Wild Wadi são parte de uma ilha artificial distante 280 metros da praia, à qual está ligada por uma via de acesso em curva. A construção começou em 1994, sobre pilares enterrados a até 40 metros abaixo do leito subaquático. Com 321 metros de altura, é mais alto que a da Torre Eiffel e apenas 60 metros menor que o edifício Empire State, de New York.
O prédio, em formato de um veleiro, compreende um heliponto no 28º andar e um restaurante panorâmico semi-suspenso no ar, tornando-se um ícone de referência na paisagem de Dubai. A fachada que dá a forma ao veleiro foi produzida em tela dupla de fibra de vidro protegida com Teflon, sendo a primeira vez que tal tecnologia foi usada verticalmente dessa forma e nessa extensão em qualquer edifício do mundo. Mantém-se branca durante o dia e é usada para formar um arco-íris de mostradores iluminados à noite, “criando um brilhante prólogo para as maravilhas que esperam o hóspede em seu interior”, como explicam os responsáveis pelo empreendimento.
Todas as unidades para hóspedes são suítes, sendo 142 Deluxe, 18 panorâmicas e 4 padrão Club (todas com um quarto), mais 28 suítes com dois quartos, seis suítes com três quartos, duas suítes presidenciais e duas suítes reais. Todas têm janelas panorâmicas, oferecendo ampla vista para o mar, e medem entre 170 e 780 metros quadrados, sendo equipadas com a mais moderna tecnologia, incluindo computadores laptop e acesso à Internet. O controle remoto do televisor gerencia inúmeros serviços e funções, inclusive observar o visitante que chega e abrir a porta para ele, sem sair da cama.
As duas suítes reais ficam acima das demais, no 25º andar, com itens especiais de luxo como elevador e cinema privativos, camas rotativas, salas de encontro arábicas (denominadas majlis), as mais luxuosas peças decorativas procedentes de todo o mundo para compor ambientes exclusivos especialmente criados.
O Burj Al Arab inclui instalações tecnologicamente avançadas para reuniões e conferências no 27º andar, em ambiente com terraço externo e decoração suntuosa que inclui pilares de mármore apoiando um domo dourado central, com um grande lustre de cristal lapidado ao centro. Complementando a instalação principal, há diversas suítes de conferência.
O complexo abriga ainda um clube Spa & Saúde, o Assawan, no 18º andar, com decoração extravagante que é uma reminiscência das salas de banho usadas pelas antigas civilizações do Oriente Médio.
Os restaurantes – Em árabe, Al Muntaha significa “o máximo, o melhor”. No Burj Al Arab, o restaurante com esse nome pretende superar as expectativas dos hóspedes, suspenso 200 metros acima do Golfo Árabe, oferecendo assim uma vista exclusiva de Dubai e todo o seu entorno. É acessado por um elevador panorâmico expresso que se movimenta a seis metros por segundo, e serve até 140 pessoas simultaneamente, especializando-se em cozinha mediterrânea. Inclui uma área especial para coquetéis e bebidas pré e pós-refeição.
O segundo restaurante é o Al Mahara, um “paraíso das comidas do mar que mergulha no Golfo Árabe para deliciar seus convidados, tornando os jantares uma experiência memorável e excitante, após uma viagem submarina de três minutos a partir do lobby do hotel”, como definem os responsáveis pelo complexo. A área principal do restaurante é cercada pela variada vida marinha no Golfo, e os clientes podem escolher ainda uma das três salas de jantar privativas.
E o terceiro restaurante principal do complexo (existem instalações menores também à beira da piscina, no átrio e no mezzanino) é o Al Iwan, ao nível do mar, flanqueado por colunas douradas e adjacente ao lobby principal, oferecendo aos convidados a hospitalidade árabe, desde o café da manhã a amplos banquetes. Além da espetacular vista marítima, conta com decoração que combina objetos tradicionais de arte para criar um ambiente acolhedor e relaxante.
Restaurante no fundo do mar
Em Israel, a idéia surgiu numa gravidez
Carlos Pimentel Mendes (*)
Todo o projeto de decoração do restaurante israelense Red Sea Star, instalado na cidade de Eilat e assinado pela escultora e criadora de mobiliário Ayala S. Serfaty, começou com uma gravidez. A artista israelense, em férias no Mar Vermelho, teve a inspiração que mudaria sua vida durante um mergulho com snorkel, que realizava durante uma gravidez como forma de ter “um maior contato espiritual com seu futuro filho”. Ao emergir, começou a desenhar sua nova coleção de abajures e móveis Aqua Creations, mostrada pela primeira vez em uma galeria de Tel-Aviv em 1994. Inspirada pelas vidas de Matisse, Joseph Bueys e Eva Hesse, Ayala começou a reproduzir em suas peças a vida marinha em toda a sua beleza, tomando a forma de uma explosão floral subaquática.
Com o marido, iniciou a divulgação internacional da Aqua Creations e em 1996 se destacou na feira de móveis de milão e na feira internacional de móveis contemporâneos de New York, ganhando vários prêmios. Essa projeção lhe trouxe importantes encomendas, como a do restaurante subaquático israelense. Ayala foi convidada a criar e produzir cada aspecto do projeto.
Submerso em 20 pés de água e localizado a 100 pés da praia, o restaurante incomum é baseado na filosofia de criação de Ayala: telas orgânicas inspiradas pela natureza, evocando delicadeza e tons vivos e coloridos. Isso é especialmente relevante porque ela necessita compensar no restaurante o exterior frio e intimidante. Uma ponte leva os convidados a um pavilhão de entrada que flutua a o nível do mar e abriga uma área de estar/cafeteria/cozinha.
Descendo por uma escada em espiral para o salão principal de jantar, o visitante é convidado a entrar em um espaço pontuado com 62 janelas acrílicas que oferecem incríveis vistas submarinas. O salão de jantar seria originalmente pintado de azul, mas pesquisas de cores lembraram Ayala de que esta não é uma cor atraente para um local de refeições. Para corrigir isso, Ayala usou uma paleta que inclui tons quentes de vermelho e laranja nos móveis, acabamentos e luzes.
Ayala criou um tema orgânico para o restaurante que flui em um balanço delicado com as vistas, convidando as pessoas a experimentar um ambiente em que não se sintam como intrusos. “O restaurante é uma síntese de minha experiência subaquática”, diz ela. O piso do restaurante é um epoxy transparente sobre areia do mar, que cria um efeito de praia.
Ela também desenvolveu tampas de mesa em epoxy, cobriu as paredes com painéis de gesso e cobriu o teto com mais de 200 estruturas. Feitas com melamina acústica e coberta com feltro, algumas das peças do teto inteligentemente acomodam saídas de ar-condicionado. Alguns detalhes incluem grades em metal cortado a laser que lembram coral, peças personalizadas de bar com tentáculos de metal, e o estilo Ayala de iluminação, que parece flutuar e dançar por todo o espaço, como relata a editora da revista Interior Design, Elana Frankel, em matéria transcrita no site da decoradora.
Ayala se considera feliz “por não ter estudado design, mas arte. Os princípios são os mesmos, mas meu ponto de partida é completamente livre. Meus trabalhos são esculturas. E a única questão extra-estética que me preocupa é o conforto. Eu estou constantemente buscando ampliar esse lado de meus trabalhos, verificando proporções, ajustes, materiais”. Ela treinou primeiro em sua casa em Israel e na Academia de Arte Bezalel de Jerusalém, continuando na Middlesex Polytechnic, de Londres.
Hotel de Gelo
Um hotel que derrete toda Primavera
A cama também é de gelo, mas o hóspede não precisa se preocupar com a temperatura…
No momento em que os brasileiros se preparam para mais um tórrido verão, um hotel novinho em folha está sendo construído para os turistas que preferem climas menos quentes. Suas paredes são feitas de blocos de gelo, mas como a temperatura externa é de uns 25 graus centígrados negativos, não há perigo de desmoronamento.
As camas também são de gelo, mas quem tiver a curiosidade de conhecer melhor o sistema vai descobrir que um eficiente sistema de bolsas de dormir (sleeping bags) garante uma confortável noite de sono. E, se, apesar de tudo, os hóspedes não gostarem do hotel, não se preocupem: quando o último cliente sair, o hotel simplesmente derrete e some na paisagem, no início da Primavera Boreal.
O primeiro desses hotéis foi construído na Suécia em 1990, cerca de 200 quilômetros ao Norte do Círculo Polar Ártico, e desde então vem sendo reconstruído a cada dezembro e aumentando de tamanho, tendo atingido já cerca de 5.000 metros quadrados de área ocupada, com 25 suítes e 60 dormitórios.
Localizado em Jukkasjärvi, e com página Web à disposição dos interessados, o IceHotel AB tem cinema, capela de gelo, numerosas esculturas em gelo e, claro, um “ice bar“. As camas são feitas de gelo e cobertas com peles de rena.
A cada ano, o IceHotel é remodelado por artistas de todo o planeta, que exibem sua arte efêmera e ali se reúnem, junto ao rio Torne, para trocar experiências sobre formas, espaços e técnicas. Esse rio é coberto com uma camada de gelo de um metro de altura, de transparência cristalina, que serve como fonte de material para sua criação artística e arquitetônica. As únicas cores disponíveis são as das luzes artificiais e as do ambiente ártico. Com apenas esse material e sua sensibilidade artística, os artistas criam os ambientes das dependências do hotel, que permanecerão intactos somente até a volta do sol, em março seguinte.
Conta o arquiteto Ake Larsson, que visitou pela primeira vez o IceHotel sueco em 1993, quando era apenas um pequeno igloo (casa esquimó feita de gelo): “O gerente Yngve Bergkvist me entregou um esboço em papel para que construísse uma cidade inteira em gelo e neve e eu disse ‘sim’. Desde então nós temos desenvolvido técnicas de arquitetura e construção e observado como a neve e o gelo reagem como material de construção”.
O próprio hotel, diz ele, é um trabalho de arte. Sem referências diretas sobre como construir um hotel de gelo, ele começou estudando catedrais européias, aplicando formas em abóbadas e domos para a água congelada. As formas em que o hotel é moldado são baseadas nas abóbadas catenárias, um molde feito pela suspensão de uma corrente de peças entre dois pontos. A adega do Ice Bar, por exemplo, é inspirada na catedral basílica de Reims, na França.
No Canadá – Um segundo IceHotel foi criado há cinco anos em Quebec, no Canadá, abrindo todos os anos nos primeiros dias de janeiro e fechando no começo de abril, quando começa a brilhar o sol da Primavera. Nesta temporada, por exemplo, abre em 6 de janeiro e fecha no dia 2 de abril de 2006. Ocupa uma área de 3.000 metros quadrados, distante cerca de 30 minutos de carro a Oeste do centro urbano de Quebec, no centro da estação turística Duchesnay, nas margens do lago St. Joseph.
O premiado hotel é composto por 400 toneladas de gelo e 12 mil toneladas de neve. Suas paredes com quatro pés (1,3 metro) de espessura e 5,4 metros de altura são um excelente isolador e mantêm uma temperatura constante no interior do hotel, funcionando de forma semelhante a uma garrafa térmica. Assim, a temperatura interna é de 2 a 5 graus Celsius negativos, enquanto do lado de fora pode baixar a 28 graus negativos. Erguer essa estrutura básica demora cerca de cinco semanas, e neste ano são 32 salas e suítes temáticas.
Os hóspedes contam até com lareiras, bem como dispõem de instalações sanitárias e de banho dentro do hotel (com banheiras tipo Jacuzzi), além de cinema, piscinas cobertas, saunas, centros de ginástica e áreas de exposição, integradas no centro turístico de Duchesnay.